Domingo, 31 de Dezembro de 2017

Dieter Dellinger: Proletarização das Classes Médias?

Aquilo que eu julgava que estaria a acontecer no plano social parece que está a falhar, ou seja, eu julgava que a maior parte dos europeus acabariam constituídos por pessoas de classe média.

Parece que sucede o contrário.

Olhando bem para as sociedades atuais e para a expansão do ensino universitário e politécnico observamos a proletarização do licenciado e mesmo doutorados.

Para os lugares de funcionário normal do Estado só entram licenciados. O exército português só quer licenciados para o quadro de oficiais contratados (ex-milicianos) que podem prestar serviço durante quatro ou oito anos e depois rua sem um cêntimo.

Hoje, os médicos começam a ser tão mal pagos em toda a Europa que são obrigados a fazer greve. Os jovens advogados não chegam a ganhar dois ordenados mínimos. O objetivo do capital é proletarizar o licenciado, principalmente, o especialista em informático que com a computação, a "cloud" e a automação substitui dezenas ou centenas de trabalhadores simples.

Para além disso, o trabalho flexível tornou-se moda.
Só o mercado dos "freelancers" aumentou 26% este ano e 51% das empresas mundiais só querem "freelancers" a trabalhar e trabalho precário, esquecendo que nestes casos, o dono do trabalho é o próprio trabalhador e tanto pode ser a lista de contactos com fornecedores e clientes como as tecnologias e organização da empresa.

A maior parte dos empresários não conhecem a história do Bil Gates que que trabalhou na IBM para depois ser convidado a sair e trabalhar como "freelancer", inventando nessa qualidade os programas máquina até ao Windows, ficando a IBM a ver navios e a ter de vender a sua secção de pequenos computadores que hoje são chineses com a marca Lenovo.

De qualquer modo, a tendência de uma Europa e EUA/Canadá de portas abertas aos países de trabalho quase escravo, mas já com muitos licenciados é o futuro previsto por Karl Marx, ou seja, um grupos de oligarcas constituídos por menos de 1% da população e proprietários de mais de 50% da riqueza mundial, uma classe média cada vez mais reduzida de capatazes dos oligarcas mais um vasto proletariado que consegue fingir que é classe média por formar casais com dois cônjuges a trabalharem sem filhos ou com um a dois. Como as novas gerações são cada vez em menor número, essas são herdeiras daquilo que as anteriores classes médias aforraram.

Hoje, fala-se em Portugal em reforma do Estado que é simplesmente reduzir os salários, substituindo funcionários por compuitadores e contratar trabalhadores precários e licenciados cada vez mais caros.

Nas finanças já só entram juristas ou economistas licenciados, ficando os lugares cimeiros e ainda mal pagos reservados aos doutorados

No caso português até o PR e o PM ganham salários baixíssimos para as responsabilidades que têm. O PR ganha menos de 5 mil euros mais mil e poucos de representação e o PM aufere 75% disso.

O crescimento dos partidos da extrema direita na Europa tem muito a ver com a proletarização das classes médias, repetindo-se o advento do nazismo como partido das classes médias empobrecidas por razões diferentes, enquanto que hoje, o fim das classes médias é o objetivo primário do capital que assim promove o aparecimento de nova crise mundial, já aque as classes proletarizadas e endividadas para ter casa e carro estão já em plena revolta num vasto número de países.

Esta evolução negativa foi bem expressa pela fascizante Isabel Jonet quando disse numa entrevista que temos todos de empobrecer.

 
 
publicado por DD às 17:32
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