Domingo, 17 de Maio de 2015

O Meu Pai na Alemanha da Hora Zero

Hamburgo na Hora Zero


O meu pai, Rudolf Dellinger, quando chegou a Hamburgo foi encaminhado para um local que não me explicou bem qual, mas parece que eram uns barracos junto à Câmara Municipal, então meia destruída.
Assinou o papelinho apresentado por um funcionário alemão e foi-se embora, pois o inglês armado que estava perto só olhava e não dizia nada. O meu pai ainda o cumprimentou, mas ele não deu resposta. O funcionário então apontou-lhe um Edital que estava na parede.
O papel era um Edital do Marechal Montegomery com o título: “Segundo Comunicado de Montegomery à População Civil da Zona de Ocupação Britânica” que dizia o seguinte, mais ou menos: Vocês devem estar admirados de os nossos soldados não vos prestarem qualquer atenção, não responderem a nenhum bom dia ou boa tarde e não brincarem com as vossas crianças. Eles reagem sob ordens expressas e eu determino que todo o alemão, mesmo criança, está proibido de dirigir qualquer palavra a um militar inglês.
Esta ordem é necessária pelas seguintes razões” e depois vem uma cantilena sob o facto de os alemães terem provocado duas guerras mundiais, o que é parcialmente uma realidade.
Em ambas as guerras, foi a Inglaterra que declarou guerra à Alemanha, apresentando um ultimato. Na segunda, o ditador alemão ainda esperou um ano para atacar a França, prazo que ingleses e franceses não aproveitaram para prepararem as suas defesas. Tinham inventado o tanque no fim da I. Guerra Mundial e não perceberam que esse veículo de lagartas é para circular onde nenhum outro pode faze-lo, pelo que o ataque à França foi feito através das Ardenas, tidas como impenetráveis e que estavam desguarnecidas e os franceses até tinham mais tanques que os alemães, mas só uma divisão blindada comandada pelo general De Gaulle, estando os tanques dispostos ao longo da fronteira como apoio de infantaria e dos fortes da Linha Maginot. Além disso, colocaram os seus caças e bombardeiros bem longe da fronteira, o que facilitou a chamada “guerra relâmpago” com tanques e aviões a atacarem sem oposição aérea franco-britânica.
Hitler esperou um ano para ver se conseguia um cessar-fogo com franceses e britânicos e, entretanto, ocupou a Dinamarca e a Noruega que foram apanhadas de surpresa, apesar de um almirante alemão ter proposto, em caso de guerra, a imediata ocupação da Noruega num livro muito lido pelos oficiais alemães, a fim de instalarem bases de submarinos nos inexpugnáveis e profundos fiordes noruegueses e provocarem grandes perdas à marinha britânica que bloqueava a navegação de navios mercantes alemães pelo Mar do Norte. O livro foi largamente vendido na Alemanha antes da guerra, mas aparentemente nenhum inglês o leu.
Claro que o meu pai depois contou que isso dos soldados ingleses não falarem não foi respeitado quanto às raparigas e a ordem foi revogada passado pouco mais de um mês. Os ingleses podiam estar mudos, mas eram impecáveis com a população civil ou pessoal fardado. Não fizeram prisioneiros na cidade, prenderam os homens da Gestapo, polícias das SS e, naturalmente, os dirigentes nazis, incluindo o burgomestre Hoffmann que desobedeceu a Hitler e levou a cidade destruída a render-se para evitar uma mortandade ainda maior em combates nas ruinas como tinha sido ordenado pelo ditador.
A Alemanha tinha perdido sete milhões de jovens, pelo que havia pessoal feminino com fartura a trabalhar por toda a parte, nomeadamente na retirada do entulho e aproveitamento de tijolos não partidos, pois quem não tivesse trabalho nada recebia e não tinha direito a senhas de racionamento para adquirir comida suficiente para manter a elegância e evitar ataques cardíacos, como foi dito por um cardiologista ao meu pai que acentuou que os ataques de coração quase deixaram de surgir devido à fome, mesmo com o estresse dos bombardeamentos.
A cidade de Hamburgo estava completamente destruída e à data da chegada do meu pai em Junho, só umas poucas linhas de carros elétricos funcionavam e não havia eletricidade, nem água ou telefone. Os soldados miúdos da companhia do meu pai que eram de Hamburgo ainda julgaram que os pais estariam no cais à espera deles, mas nada, ninguém foi avisado, nem os familiares tinham endereço. Só os organismos da Cruz Vermelha é que faziam listas.
O meu pai queria ir para Dresden ver os pais, mas disseram-lhe logo que não fosse ainda e principalmente fardado porque seria logo preso pelos russos, mas não tinha roupa civil consigo. Tentou “civilizar” a sua farda, arrancando todos os emblemas e até os botões com a cruz suástica, substituindo-os por uns pauzinhos como tinha visto nos casacões dos militares ingleses. Depois disseram-lhe que para sair de Hamburgo e deambular pela Alemanha tinha de obter um “Passierschein”, um documento ou autorização de passagem emitido pela administração inglesa e esta não estava a dar esse documento, havendo bichas enormes junto aos barracos da Câmara Municipal.
Na viagem a bordo de um barco de carga de Narvik para a Alemanha, o meu pai tinha falado com os médicos da sua divisão e eles disseram que teria muito trabalho nos hospitais instalados nos arredores de Hamburgo, pois a aparelhagem de raios X tinha sido destruída ou avariada e havia necessidade imperiosa de alguém que pudesse pôr aquilo a funcionar novamente para tratar os muitos feridos que ocupavam dezenas de hospitais improvisados.
Na cidade, o meu pai tinha-se informado antes onde estavam os hospitais e como era tarde no dia da chegada não pôde ir para lá, pois nem havia meios de comunicação. Para dormir não encontrou nada. Ainda foi a um prédio intacto pedir se lhe alugavam um espaço para dormir naquela noite, mas nada, ninguém quis nada com o meu pai nem com dezenas de milhares de sem abrigo que deambulavam pela cidade para poderem sair com com o tal documento de saída. Havia muito egoísmo e também conformação, pois aquilo que acontece a quase todos acaba por ser natural e ninguém nutria ódio seja por quem for, já que o presente preocupava muito mais.
O meu pai encostou-se a um canto junto ao resto de um alpendre e dormiu assim nessa noite. No dia seguinte, muito cedo foi para a Estação Central e conseguiu apanhar um dos primeiros comboios que saiu da cidade para o sul, porque os grandes hospitais instalados a norte da cidade estavam ocupados pelos ingleses e era a zona de Blankeneese, uma espécie de Estoril de Hamburgo.
Chegado à terreola, a poucos quilómetros de Hamburgo, cujo nome não me recordo, o meu pai foi a pé ao Hospital, perguntando a toda a gente e quando lá chegou viu uma instalação estranha rodeada de arame farpado com os portões abertos e uma torre de vigia em que estava um boneco com capacete de aço em cima.
O local estava cheio de barracas de madeira que eram as enfermarias e o meu pai perguntou pelo local dos Raios X e indicaram-lhe a barraca respetiva, apresentando-se aos radiologistas e viu logo os aparelhos da fábrica em que tinha trabalhado e para cuja venda trabalhara em Portugal. Quando disse que foi engenheiro dessa fábrica foi recebido de braços abertos, pois a maior parte dos aparelhos não funcionavam e disseram-lhe que tinham um enorme armazém cheio de restos de aparelhagem estragada pelos bombardeamentos, peças, cabos e quadros elétricos, tudo a precisar de alguém para fazer alguma coisa.
Um dos médicos perguntou-lhe: então não acha estranho estas instalações para um hospital?”. O meu pai respondeu que não, atendendo às circunstâncias. “Pois isto é um campo de concentração a fingir”, disse-lhe o médico. O meu pai nunca tinha visto um campo de concentração, nem sequer passou perto de algum ou não notou. “Nós construímos alguns milhares de campos de concentração a fingir com bonecos a servir de guardas para os aliados não bombardearem e julgarem que estão lá os seus soldados aprisionados”. Efetivamente, ali ao longo do rio Elba, o meu pai verificou depois que havia muitos campos desses com barracas de madeira bem construídas para poucas famílias que só muito tarde desapareceram e retirado o arame farpado ficaram rodeados de jardins. Chamavam-se Siedlungen” que traduzido para português dá povoamento ou bairro social. E até verificou que havia fornos crematórios a fingir que serviam para aquecer água que circulava em tubagens próprias pelas barracas. Há poucos anos atrás, eu ainda vi um desses bairros em Berlim com barracas iguais às de Dachau, mas pintadas nas mais diversas cores e com janelas alargadas. As siderurgias de Essen começaram depois a fabricar umas chapas enrugadas com as quais se fizeram milhares de alojamentos provisórios extremamente frios no inverno em forma de meio túnel.
O meu pai ficou a trabalhar para o hospital, recebendo 50 “Reichsmark” pela reparação de cada aparelho, o único pagamento que os ingleses deixavam que fosse feito aos alemães, mas tinha direito a refeições e sanhas de racionamento. Além disso, arranjou nas imediações um local para dormir numa barraca de um ”empreendedor” que alugava espaço de dormida a médicos e enfermeiros. Depois é que conseguiu alugar um quarto na casa de uma senhora idosa quando lhe deu umas latas de sardinhas portuguesas.
O meu pai tornou-se rapidamente uma pessoa “rica” porque a minha mãe lhe mandava através da cruz vermelha pacotes com sardinhas, açúcar, café, massas, arroz, etc., e o meu avô materno e português que era uma espécie de banqueiro no Brasil também mandava pela Cruz Vermelha café e açúcar, umas verdadeiras preciosidades naquela Alemanha que passava imensa fome, pois as senhas de racionamento não davam para quase nada. Era tudo trocado no mercado negro ou vendido a preços exorbitantes e o meu pai não tinha tempo para se deslocar ao antigo bairro dos divertimentos em que funcionava o mercado ilegal. Com uns pacotes de açúcar e de massa conseguia que um alfaiate lhe fizesse um fato.
Uma vez foi ao campo trocar umas latas de sardinha e de atum por uma saca pesada de batatas e foi apanhado pela polícia, mas vinha prevenido e deu ao polícia duas latas de sardinha e passou. Aquilo era açambarcamento e daria prisão se o guarda não estivesse cheio de fome e farto de comer sopa com algumas batatas.
O curioso é que o pessoal do hospital ainda andava em parte com a vestimenta às riscas de prisioneiro usadas antes da guerra terminar para dar mesmo a impressão de foi um campo de concentração, dado que no fim da guerra os caças Mustang e Spitfire voavam a baixa altitude e disparava sobre tudo o mexesse, incluindo pessoal a sair de uma missa. Para além disso, logo a seguir à guerra não se podia deitar fora qualquer trapo, dada a imensa falta de tecidos, botões, etc.
Logo no dia em que ficou tudo combinado, o meu pai lançou-se ao trabalho e através de um médico arranjou um colecionador de material destruído que trazia restos de tudo o que foi elétrico e recebia umas salsichas ou presuntos em troca. Através de uma fábrica de lâmpadas dos raios catódicos que originam os raios X, o meu pai contactou com os antigos colegas de trabalho que foram ter com ele, pois havia cada vez mais material hospitalar para arranjar ou construir mesmo.
O meu pai teve de ser “desmobilizado” e desnazificado passado mais de um mês de estar em Hamburgo e trocar a caderneta militar por um documento civil dos ingleses em que ficou como tendo nascido em Rostock quando, na verdade, o meu pai nasceu na Rússia, precisamente em Rostov. As autoridades da Wehrmacht mudaram assim a cidade de nascimento para evitar que fosse fuzilado no caso de ser aprisionado pelos soviéticos.
A desmobilização foi curiosa porque o exército alemão não existia como tal, o meu pai foi interrogado por um inglês que falava alemão depois de ter estado mais de duas horas numa fila de espera. O homem perguntou-lhe logo em que data em que entrou para as SS e o meu pai respondeu em nenhuma pois não tinha feito parte dessa tropa, apenas de uma companhia sanitária da qual de vez em quando saia pessoal para reforçar algum ponto da linha da frente e apanhar alguns feridos e mortos em combate. Depois perguntou-lhe se pertenceu ao partido nazi, o que também foi negado e disse que vivia em Portugal onde não havia partido nazi alemão. Na verdade havia entre os alemães e até inscreveram o meu pai como nazi quando fazia ginástica no clube da Lanterna Vermelha na Rua de São Bento e quando ia com amigos fazer grandes caminhadas de Setúbal ao Portinho da Arrábida, escalando a serra para obter o emblema dourado de desportista amador alemão. Enfim, negou tudo e o inglês passou-lhe o papel para assinar como “desnazificado” e trocou a caderneta militar por um documento civil.
Quando o barraco deixou de servir por falta de espaço, a administração local obteve autorização dos ingleses para ceder os restos de um amplo edifício que tinha o rés-do- chão meio destruído.
Os colegas e o meu pai arranjaram as paredes e colocaram um telhado. As fábricas de telhas nunca tinham deixado de funcionar. Assim renasceu a nova fábrica de aparelhos de Raios X K&S que foi depois transferida para o espaço de uma fábrica de armamentos Krupp desmantelada pelos aliados e cedida pela administração de Essen, pois o material hospitalar tinha prioridade e os feridos ainda abundavam.
Saliente-se que a fábrica inicial estava instalada em Leipzig que os comunistas chamaram depois Karl Marx Stadt e que voltou ao antigo nome. Apesar de não ter sido destruída, nunca mais funcionou porque engenheiros e mestres não quiseram trabalhar para a RDA. “Razão” tinha Estaline quando numa conferência com os aliados disse que o desmantelamento da indústria alemã não se faz tirando máquinas, mas sim desmontando as …. e apontou para a cabeça. Ou seja, o ditador soviético queria que a elite técnica alemã fosse toda fuzilada.
A guerra tinha feito muitos feridos, mas não tantos como isso porque os médicos alemães tinham ordens de não amputar dois membros e, em vez disso, aplicar uma injeção letal.
O meu pai ainda quis ir a tribunal acusar os médicos militares de criminosos de guerra contra os seus próprios soldados, mas como trabalhava para eles, os colegas não o deixaram e foi um segredo de guerra que ficou esquecido para sempre, tendo começado quando o ditador visitou um hospital militar e viu os chamados homens cestos, sem braços e pernas que viviam em cestos pendurados numas espécies de guindastes com rodas. O “Fuehrer” disse que não queria ver cenas destas e que acabassem com isso. O alemão, tanto há mais de 70 anos como hoje, é um cumpridor e faz as piores ou melhores coisas desde que as ordens venham de cima. Hoje, trata-se de sadicamente destruir a Grécia. Mas, os alemães aceitaram todas as desgraças da guerra com grande estoicismo, sem remorsos nem desejos de vingança, preferiram antes serem considerados do que fracos; é a mania que ainda vigora.
 Por estranho que pareça, os judeus em Israel têm o mesmo comportamento com os árabes.
O curioso é que hoje, o Museu da Cidade de Hamburgo não reserva o mais pequeno espaço ou fotografias sobre a guerra e a destruição, apesar de ter uma sala dedicada a um grande incêndio que destruiu umas tantas casas e ruas há mais de um século atrás. Visitei o Museu e perguntei pela sala da guerra e a velhota que tomava conta daquilo disse que não havia e voltei a perguntar então sabe que a cidade foi destruída pelos ingleses. Não senhora, respondeu a velhota que deveria ter vivido aquilo, foram os russos que bombardearam Hamburgo, o que não é verdade porque nunca tiveram grandes quantidades de bombardeiros.
A fábrica prosperou nos primeiros anos e ali inventou-se a primeira “bomba de cobalto” para irradiar zonas cancerosas e criou-se um dos primeiros protótipos de TACS, mas nunca teve dinheiro e a banca quando viu aquilo florescente com dívidas tratou de obrigar os fundadores a venderem ao grande capital, nomeadamente à Pillips holandesa. Os esforçados trabalhadores que fizeram de sucata aparelhos de Raios X e máquinas ferramentas, desenvolvendo novos aparelhos para tratar o cancro, receberam uns trocos, mas nada comparado com o que os bancos ganharam e trabalharam dez horas por dia, incluindo sábados e até domingos de manhã.
Com um fato novo, gravata, camisa e documentação inglesa, o meu pai foi a Dresden visitar os meus avós. Ficou espantado com a destruição total do centro da cidade e feliz por os pais viverem quase fora da cidade, onde as bombas não chegaram. Levou-lhe uma mala cheia das preciosidades alimentares portugueses e viu o meu avô, também engenheiro, muito entretido a desmontar as máquinas de uma fábrica que pertenceu ao meu tio, morto na guerra, para as montar de novo na cave porque a parte de cima tinha ardido com um o fósforo líquido que os ingleses lançavam apara queimar as pessoas em vida num sofrimento atroz. O fósforo penetra no corpo e queima de dentro para fora. A cidade ainda cheirava a fósforo. Esteve lá duas semanas e ajudou o meu avô a pôr as máquinas a funcionar para o fabrico de cápsulas, tampas e latas para salsichas e coisas do género. As autoridades locais apoiaram os seus esforços, mas quando viram tudo a funcionar apresentaram um imposto gigantesco semelhante ao atual “pagamento por conta do IRC” que o meu avô não podia pagar, pelo que a fábrica a funcionar foi apreendida e o pai do meu pai ficou sem nada.
Curiosamente, o meu avô disse ao meu pai que os soldados russos estavam convencidos que foi a aviação soviética que bombardeou Dresden e outras cidades para ficarem convencidos que tinham ganho a guerra sozinhos. Na verdade, os ingleses destruíram Dresden como muitas pequenas cidades, incluindo localidades de veraneio no Báltico para convencerem os russos que sem essas destruições eles não teriam ganho a guerra, mas a informação não passou para soldados e oficiais de baixa patente. 

 

 

 

 

 

 

 

 

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