Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2016

O Homem em Declínio da Filomena Mónica


 

O Expresso do passado 6 de fevereiro mimoseou os seus leitores com o artigo mais idiota que se pode imaginar de autoria da Maria Filomena Mónica intitulado “O Declínio do Poder Masculino”.

Eu não venho aqui defender a masculinidade e o seu eventual poder porque não vejo qualquer necessidade nisso, mas não posso entender a afirmação final da autora que escreveu: “Para os homens, o futuro é negro: dentro de 125.000 anos estarão extintos”.

Ela refere-se a dois autores de livros provavelmente de anedotas desprovidos de qualquer sentido.

A referida autora da direita portuguesa parte da existência de casais em que a mulher sustenta a casa e o homem passou a doméstico, geralmente por via do desemprego. Não conheço nenhum, mas há televisões que dizem que há e nem interessa saber se há ou não.

A sociologia aponta para a existência de casais com os dois cônjuges a trabalharem e em Portugal só assim é que apareceu uma quase classe média relativamente vasta com um mínimo de nível de vida.

Evolução social que é consequência da ausência da enorme redução da mortalidade infantil e juvenil graças aos avanços da medicina e do SNS socialista que permite prescindir da procriação em quantidade e também pelo facto de que a racionalização do trabalho e a máquina tornaram o trabalho menos violento e, como tal, mais suscetível de ser executado por mulheres, o que se acentuará com a robotização desde que se arranjem mais funções a necessitarem de trabalho.

Mas a maior asneira da madame é reproduzir de dois livros de humor que “demonstravam que o sexo masculino era uma espécie agarrada à vida através de um cromossoma frágil, de seu nome Y, que originalmente desempenhava competentemente as sua funções” sem explicar quais. Depois acrescentou que “a maldição começou quando o homem pretendeu lutar com os dinossauros, assumindo o papel de sexo forte”. Aqui é que ela se espalhou ao comprido ou os autores de anedotas onde ela foi buscar a frase, mostrando a sua falta de cultura biológica mais elementar.

Os dinossauros terão desparecido há uns 65 milhões de anos e, nessa altura, os primeiros mamíferos eram espécies recentes que apareceram no cenozoico. Quando desapareceram os dinossauros surgiram e desenvolveram-se os mamíferos a partir de serpentes mamalianas e pequenos roedores.

O homem propriamente dito é em termos evolutivos um bebé pois a família humana não tem mais de dois milhões de anos a partir do homo habilis, o primeiro a usar ferramentas líticas, seguido do homo sediba, h. robustus, h. bosei, h. erectus, h. heidelbergensis, h. floressiensis, h. neandertalensis, h. rhodensis e, por fim, o glorioso homo sapiens arcaico e homo sapiens sapiens, ambos com menos de 200 mil anos de existência.

O mais antigo antepassado conhecido do género homo terá sido o Ardipithecus ramidis que viveu há uns 6 milhões de anos, uns 60 milhões de anos após a extinção dos dinossauros e que faz parte do género austrolopiteco.

É verdade que não conhecemos a razão por que de uma tão numerosa família e num espaço de tempo tão reduzido que são dois milhões de anos só o pintor de paredes de cavernas sapiens sapiens é que sobreviveu.

Há hereditariedade mitocondrial feminina como há nuclear masculina, mas o homo deve a sua inteligência à ferramenta que começou por ser de pedra e madeira até chegar ao ferro fundido que muito contribuíram para o êxito da caça e da agricultura em conjunto com a guerra. Não há dados para uma evolução hermafrodita quase desconhecida no reino animal.

A vida na Terra tem uns 4 mil milhões de anos e a igualdade de géneros tem pouco mais de 50 anos, prazo verdadeiramente heurístico que é uma maneira erudita de dizer que não se demonstra qualquer correlação entre si.

 

publicado por DD às 23:39
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