Domingo, 27 de Dezembro de 2009

O Regresso de Krug - III

 

     Dresden foi destruída em três bombardeamentos que decorreram de 13 a 14 de Fevereiro de 1945. O primeiro começou às 22.13 da noite de 13. O grosso da força de ataque foi constituído por 244 bombardeiros Lancaster, acompanhados por bimotores Mosquitos de caça e ataque nocturno. Ao mesmo tempo, outros bombardeiros atacavam Nuremberg, Leipzig, Bonn, Dortmund, Magdeburg e outros pontos para não permitir aos alemães a identificação do verdadeiro objectivo a atingir pelos aliados.

     O grande estádio de Dresden foi o ponto de referência; sobre ele, os bombardeiros marcadores largaram bombas de fumos vermelhos, depois de receberem a ordem do "Masterbomber". De acordo com o ataque previsto, deveria ser destruído um quarto de círculo com um ponto de intersecção dos raios no estádio.

     - Eu não acredito - disse Marthe Krug - que o único objectivo dos britânicos tivesse sido mostrar aos russos que não tinham ganho a guerra sozinhos. Não, aqui a velha Marthe acredita que houve um desígnio global na última guerra com um quase acordo entre os militares das potências em luta, ou antes, dos responsáveis pelas forças aéreas. Matar a população civil, enfraquecer, para não dizer destruir, as sociedades civis. Os militares quiseram vingar-se da I. Guerra Mundial em que eram eles só a morrer nas trincheiras, ou antes, eram predominantemente os jovens civis transformados apressadamente em militares, após uma sumária recruta. Digo isto, porque foi o meu marido que muito em surdina me expôs esta teoria. Ele dizia sempre que as forças aéreas não se preocupavam em atingir objectivos militares, queriam era sacrificar a população civil. Começaram em Madrid e Guernica e acabaram em Dresden, Hiroshima e Nagasaki. Repare, a guerra tem como objectivo matar pessoas. Para isso é que os militares foram ensinados e treinados, tal como o médico o é para curar as doenças.

     - Talvez a prima tenha razão, nunca vi a questão por este prisma, mas tem algo de verdade e faz-me lembrar alguns dos escritos do sociólogo Gaston Bouthoul em "O Fenómeno Guerra". Ele via na guerra mais uma questão demográfica e populacional que a simples continuação da política por outros meios, como escreveu Klausewitz. E repare prima, a última guerra foi, sem dúvida, a maior de todas as guerras tribais de sempre, mas não a última, certamente.

     - Mas, continuando, e desculpem por interromper os vossos interessantes raciocínios. A técnica do ataque às cidades tinha evoluído muito. Os aliados lançavam, primeiro, bombas altamente explosivas para rebentar portas, janelas e telhados e depois faziam explodir as temíveis bombas incendiárias de petróleo e de fósforo que deveriam lançar fogo ao recheio das casas e com os incêndios queimar ou asfixiar as pessoas que se abrigaram nas caves e depois voltavam a lançar bombas explosivas para matar os bombeiros e o pessoal dos serviços de protecção civil. No meio disso, lançavam minas aéreas para explodirem depois e nos intervalos ainda lançavam folhinhas de fósforo que se prendiam às pessoas para as queimarem vivas. Aqui em Dresden, como noutras cidades alemãs, as incendiárias provocaram uma temível tempestade de fogo que abrangeu uma área superior à atingida directamente pelos impactos explosivos. A zona alvo englobou a parte antiga com os monumentos e museus, tudo sem significado militar, além de muitos bairros residenciais. E foi tudo estudado cientificamente, sabe.

     Os americanos chegaram a construir durante a guerra uma cópia das típicas cidades operárias alemãs com os seus edifícios em tijolo e telhados assentes em estruturas de madeira. Depois bombardearam essa mesma cidade que foi várias vezes reconstruída. Pretendiam assim estudar a melhor bomba incendiária para melhor queimarem vivas as populações operárias. Fizeram-no no Estado do Utah, próximo de Salt Lake City. O arquitecto foi mesmo o Erich Mendelsohn que se notabilizou com a sua célebre Torre de Einstein e que tinha um conhecimento profundo da forma como os alemães construíam as suas cidades, já que foi uma estrela da arquitectura alemã durante a época da República de Weimar.  

     Como tal, foi o arquitecto daquilo a que os aliados denominaram "dehousing", tirar a casa.

     - O Werner não quis dizer, mas em 1945 namorava já a minha irmã e moravam mesmo junto à casa dos seus pais, na Wildsruffer Strasse, e safou-se bem do abrigo, era um rapazinho muito novo, corria bem. Foi isso que o salvou.

     - Então, Senhor Werner, conte lá o que se passou consigo e o que sabe dos meus pais.

     - Hoje, passado este tempo todo já posso falar. Nestas coisas andei mais de vinte anos a esquecer e outros tantos a relembrar.

      -  Então, tire lá dos neurónios o que sabe.

     - Olhe!< Não é muito, mas trágico! Hoje parece-me tudo irreal, como um sonho, ou mesmo um filme visto há muito tempo no cinema ou na televisão. Parece que uma parte do meu cérebro teima em esquecer, enquanto outra pretende recordar.

      -  Então o que recorda em concreto? Diga lá, se isso não causar um certo aborrecimento.

     - Não, não causa mais qualquer transtorno, pois já contei e escrevi a história muitas vezes, mesmo no livro  "ou Dresden".

     - Depois dos alarmes fomos para a cave do nosso prédio. Fui com o meu pai, mas não nos sentíamos nada seguros aí. Eu preferi ir para uma entrada junto à cave, aquilo tinha um tecto abaulado que dava a ideia de ser mais sólido. As bombas começaram a cair e a explodir com estrondos ensurdecedores. Os meus vizinhos choravam e gritavam, as explosivas deviam cair aí perto e serem bem potentes. Os ingleses queriam rebentar os monumentos em pedra e, por isso, escolheram o material mais pesado. Parece que ficámos todos atordoados e quase desprovidos de audição depois do estrépito de uma bomba que fez ruir a parte superior do nosso prédio. Quando cessou o ruído continuámos na cave, estávamos todos tontos como se tivéssemos ingerido uma bebida muito forte e esperámos por algo, que ninguém sabia o quê.

     -  Mas ficaram assim muito tempo, senhor Werner?

     - Para dizer a verdade, não sei, mas talvez não fosse muito tempo. Recordo que fui com o meu pai ver o nosso apartamento. Estava meio destruído e uma bomba incendiária ficou presa na janela da casa de banho. Sabe? Era uma pequena bomba de fósforo do tipo das que chamavam então morcego destinadas a queimar vivas as pessoas e eram lançadas em nuvens de milhares para cima dos edifícios previamente destruídos pelas bombas explosivas. Meu pai queria tirar a bomba para fora, enquanto a minha mãe gritava para não lhe mexer, acabou por a colocar na banheira cheia de água. Pelas janelas partidas víamos os clarões dos incêndios das casas nas redondezas. Pensámos em salvar alguns pertences e sair dali, sabíamos que os bombeiros não seriam capazes de apagar aqueles incêndios todos. Metemos comida em sacos e alguma roupa e saímos para o exterior, envoltos em panos encharcados e chapéus molhados e óculos de protecção, pois queríamos evitar a cegueira instantânea produzida pelas feridas do temível fósforo. O meu pai levava um velho capacete de aço, previamente untado com um óleo e molhado. Os vizinhos fizeram o mesmo e recordo que a jovem viúva de guerra do primeiro andar levou uma pequena gaiola com um pássaro e uma senhora idosa com um sobretudo por cima da camisa de noite transportava um penico cheio de areia.

     De alguma forma, a primeira fase do bombardeamento fez-nos enlouquecer um pouco, apesar de ninguém ter perdido uma certa calma. Na rua parecíamos um cortejo de loucos, todos com as caras envoltas em toalhas de banho molhadas com aberturas muito pequenas para os olhos. Muitos levavam garrafas e outros recipientes de água que iam despejando por cima da cabeça para manter o corpo fresco e evitar as queimaduras. - E foram para onde?

     - Fomos primeiro para a rua e qual foi o nosso espanto quando vimos que subitamente o nosso prédio estava a arder. Se lá tivéssemos ficado, ardíamos também. Pegámos nos carrinhos de mão que tínhamos guardado para esta eventualidade e fomos rua acima com quase tudo em chamas à nossa volta. O asfalto parecia ferver e de repente até um dos carrinhos de mão começou a arder por via do fósforo que caíra nas roupas. Olhámos para cima e vimos as folhinhas brilhantes a caírem lentamente, pareciam restos de um gigantesco fogo de artifício.

     - Andámos de um lado para outro, procurando as ruas mais largas e as praças sem ver mais que os incêndios. Fazíamos o que podíamos para fugir às torturantes e mortíferas folhinhas de fósforo. Repentinamente, apareceram vários homens da protecção civil a gritar que estava tudo a começar de novo. Não tínhamos ouvido ruídos de sirenes ou aviões, só alguns minutos depois é que ouvimos de novo os estrondos das bombas.

      -   E ficaram por ali parados?

    - Não, estávamos perto da Câmara Municipal, encontrámos um abrigo nas caves protegidas do edifício que eram das melhores da cidade. Havia ali água de reserva, depósitos de areia e material para combater os incêndios. Mas, estava tudo cheio de gente e parece que já não ouvi mais as bombas, só as pessoas a contarem uns aos outros o que foi a primeira fase do bombardeamento. Muitas pessoas tinham roupas rotas e queimadas, muitas estavam feridas, ajudavam-se umas às outras a fazer pensos e arranjar as poucas roupas que restavam. Umas tiravam camisolas para outras que não tinham, dos sacos de roupa saíram peças para uns e outros.

    Palavra que é verdade, parecíamos pertencer todos a uma única família, dei alguma da minha roupa a um rapaz que tinha a mesma altura que eu. Recordo a mãe dele, muito bonita, a agradecer com os olhos húmidos. A um canto, puseram os mortos e a outro, os que tinham sido queimados pelo fósforo e que morriam no meio de um sofrimento indescritível, gritando e apelando por socorro. Nada havia para os salvar, o fósforo é a mais insidiosa arma para matar lentamente na mais dolorosa das torturas que se possa imaginar, pior mesmo que as fogueiras do Santo Ofício. Mas, a dada altura, a terra voltou a estremecer, parecia um tremor de terra entre o ruído de silvos e zumbidos. O ar tornou-se quase irrespirável e cheio de fumo, alguns companheiros de infortúnio começaram a intoxicar-se e a vomitar, os moribundos apressavam-se a morrer. Alguém abriu uma porta e começámos a sair, mas fomos impedidos de o fazer, as paredes da Câmara ruíram e ficámos quase soterrados no entulho, o pessoal ficou paralisado, do exterior vinha um calor insuportável. Um indivíduo mais entendido dizia que lá fora estava a passar um ciclone de fogo provocado pelas bombas incendiárias e que a Câmara toda construída em pedra era a nossa salvação, mesmo reduzida a destroços. Ninguém sabia o que fazer, mas fomos remexendo o entulho para encontrar algumas aberturas para o exterior. Completamente esgotados, começámos a entrar em pânico; acabámos por ficar horas deitados por ali à espera de algo que não sabíamos o que poderia ser. O calor era imenso e sem o dizer acreditávamos que iríamos morrer asfixiados, mas o tempo passou e só os feridos morreram, além de alguns outros, mas aqueles que estavam indemnes acabaram por sair com vida.

     - E da minha família chegou a saber alguma coisa?

    - Não, infelizmente, só sabia o que se passava imediatamente à minha volta e, salvo um ou outro vizinho, as pessoas que estavam connosco na Câmara eram-me completamente desconhecidas e por aquilo que vimos não ficou nenhuma vontade de perguntar ou falar seja do que for.

     -  Então o que aconteceu a seguir?

    - Saímos quando estávamos com a boca seca e o ar não melhorava. Abrimos um caminho pelos escombros e chegámos enfim à rua. Não pode imaginar o que vimos. Ainda ardia quase tudo à nossa volta e o que vale é que a Câmara tinha à sua frente uma praça relativamente ampla. De um dos prédios saíram três pessoas a arder, atrás corriam alguns trabalhadores do serviço de protecção com recipientes de água, as pessoas gritavam e os trabalhadores pediam calma para as poderem salvar. Só passado algum tempo é que percebi que eram mulheres. A dada altura assustei-me de verdade porque as chamas percorriam as ruas estreitas como se tivessem vida, fossem uma espécie de serpente a rastejar pelas artérias da cidade. Ficámos paralisados, não sabíamos se deveríamos voltar ao abrigo sobre os escombros ou procurar outro local. A torrente de fogo trazia consigo pessoas a arder, saltavam como tochas a gritar e ninguém as podia acudir. Os homens da protecção corriam para todos os lados com cordas, mangueiras e baldes de areia mas também não podiam chegar junto das ruas mais estreitas, o calor era infernal, apesar de estarmos no inverno. Deixámos passar mais de uma hora até as chamas acalmarem bastante e tentámos então ir à nossa rua. É impressionante o barulho enérgico e ruidoso das chamas a consumirem estruturas dos telhados, soalhos e tetos, bem como mobília e gente. O fogo provocado pelo fósforo dos morcegos e das folhinhas é profundamente autoritário, não discute, não se apresenta aos soluços, é um todo contínuo aparentemente inesgotável. É a incarnação da autoridade violenta e criminosa por excelência ou a expressão de um deus odiento que detesta a espécie humana que teria criado. Acredito hoje, que a autoridade nasceu nas sociedades humanas com a descoberta do fogo e que a guerra é a prova da inexistência de Deus.

    O que vimos no trajecto quase não pode ser explicado por palavras. A morte por toda a parte numa incrível multiplicidade de formas, milhares de pessoas mortas nas ruas e muitas outras nos abrigos. Na rua, cada um tinha morrido à sua maneira, totalmente queimados, semi-queimados, asfixiados com a boca aberta, mães com filhos, raparigas jovens, homens velhos, uns queimados outros vitimados pelas explosões com os corpos despedaçados e sei lá como? Fiquei com a impressão que quase toda a população de Dresden morrera ali e no meio da tristeza senti-me forte, pela primeira vez forte, não tinha morrido, teria uma eternidade à minha frente, se não morrera ali não podia morrer mais. Sim, não é ficção, é o que senti e que levei anos a perceber e a encontrar palavras para exprimir. Senti a consciência pesada por ter tal sentimento em vez de pena e piedade por aquelas vítimas que eram parte da minha pessoa enquanto vizinhos e conterrâneos. Um psiquiatra disse-me uma vez que foi essa sensação que me salvou de uma terrível depressão que me poderia ter afectado a vida inteira.

    -  E da casa dos meus pais o que ficou?

   - Se bem me lembro, terá ficado o mesmo que da minha, ou seja, nada, um pouco de parede junto ao chão. Naquela rua ficou tudo despedaçado, algumas paredes do exterior e nada no miolo dos prédios, nem sequer havia barulhos oriundos das caves, as pessoas que lá ficaram morreram todas. Foi horrível, os seu familiares morreram num sofrimento atroz, porque toda a táctica do marechal britânico  Bomber Harris era matar a população sim, mas com o máximo dos sofrimentos.

     Em 1945 foi Dresden e mais de meio século depois é a Sérvia, o Kosovo e a Tchetchénia. São sempre os humildes os grandes ofendidos e vítimas do desentendimento político e militar. Depois daquele holocausto, fomos para os arredores, mas o meu pai, apesar de inapto para trabalhos violentos, ferido com dois estilhaços no coração que não puderam ser retirados, foi mobilizado para os trabalhos de combate aos incêndios e remoção de cadáveres. Contou mais tarde, que na maior parte dos abrigos toda a gente morrera, principalmente nas ruas mais pobres e estreitas onde moravam os trabalhadores mais velhos e as viúvas dos muitos maridos mortos nas frentes. O meu pai trabalhou semanas para enterrar tantos cadáveres, muitos dos quais foram queimados novamente em gigantescas pilhas antes de enterradas as cinzas. Tornou-se ele num pacifista convicto que passou, tal como eu, a odiar todo o tipo de guerra, militarismos e ditaduras. Não podia ver fotografias de generais e chefes de Estado fardados com os peitos cobertos de medalhas, orgulhosos do seu estúpido ofício de matar.

     - O meu cunhado Werner descreveu isto num interessante livrinho repleto de fotografias, vou dar-te um exemplar para recordares com tristeza aquilo que se passou com a tua família. Sei que ficaram todos no ciclone de fogo, asfixiados ou queimados sem direito a campa, foram para a vala comum ou para a pilha de incineração como grande parte da população desta cidade que ainda hoje não se recompôs de tamanha tragédia. Se acreditasse em Deus rezava pelas suas almas, mas não acredito que tenha ficado algo deles, a não ser a tua pessoa. E depois disto a que Deus deveria eu rezar?

 

Copywright: Dieter Dellinger

Autorizada a cópia para outros blogs ou qualquer impressão desde que respeitado o nome do autor, o qual agradece a informação sobre o facto.

publicado por DD às 17:08
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