Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2004

A Ideia

O anúncio no Diário de Notícias era claro: gestor de produto e planificador com curso superior. Manuel de Almeida respondeu; provavelmente enviava a sua centésima resposta em pouco mais de um ano após de ter completado o curso de Gestão na Universidade Privada S. G. Já não esperava ir a qualquer entrevista, mas, mesmo assim, salientou os seus conhecimentos de inglês que tinha aperfeiçoado recentemente e o castelhano que estava a aprender no Instituto Espanhol. Há tempos tinham-lhe aconselhado. - Já que isto está tudo a tornar-se castelhano, nada como aprender a língua dos capatazes das multinacionais.

 

- Sim, - disse-lhe um dia um dos tios, -  as multinacionais estão todas a gerir os negócios em Portugal através das suas filiais no país vizinho. Portanto, são os "capangas" hispânicos que mandam. Por vezes é melhor saber castelhano que inglês. E cuidado, não convém saber demasiado das duas línguas. É que os ditos espanhóis têm muito pouco jeito para línguas, daí que falam um inglês horrível e, naturalmente, um jovem como tu que sabe inglês e a língua deles pode ser uma ameaça. No mercado do emprego e desemprego há que gerir cuidadosamente a questão das ameaças possíveis ou fantasmagóricas na cabeça daqueles que nos empregam -  rematou o tio.

 

Quando lhe telefonaram, Manuel nem sabia ao certo a que emprego é que tinha concorrido, já que nas últimas duas semanas, desesperado, respondera a tudo; desde o porta-a-porta à venda de computadores, passando por pedidos de contabilista, director comercial, fiscal de obras, apontador, gestor de canal de distribuição, consultor comercial, recepcionista, formador, "acheteur chef de produits", mesmo assim num anúncio em francês, etc. E como tinha lido, Manuel personalizava sempre as suas respostas nunca se esquecendo de dizer que também sabia informática na óptica do utilizador.

 

Foi chamado; teve uma longa conversa com um tal doutor Angel Cuerpo, um valenciano baixote e gordinho que falou muito do grupo que estava a instalar uma filial em Lisboa. Somos a KK Ibérica, filial da KK Europa com sede em Bruxelas, mas na verdade dependemos da KK Mexicana que elabora o que vendemos, à excepção do que começa agora a vir da KK Kaoshing da China. Sabe, a produção da ideia é bem mais barata na China. A KK Mexicana é, por sua vez, subsidiária da KK "High Tech" de Richmond na Califórnia, ligada à "Empresa Moderno" de Bogotá na Colômbia, cujo capital é maioritariamente pertença do "Trust Bank of Texas" - disse o doutor Cuerpo em puro castelhano.

 

Manuel não ficou a perceber bem estas complexas ligações, e mais confuso ficou quando Cuerpo lhe disse que o armazém e arquivo principal ficavam em Schipool, na Holanda, junto a um aeroporto, portanto. Mas a sua personalidade deverá ter causado alguma impressão favorável, o que levou Angel Cuerpo a disparar de repente, - sabe onde fica Richmond ?. - Sei Sim, - respondeu Manuel de Almeida - fica na baía de São Francisco, frente à cidade, do outro lado da ponte do Golden Gate. - Bueno, bueno, usted és listo - retorquiu o valenciano, acrescentando: - e é bom que fale as duas línguas, inglês e espanhol, pois nós somos uma empresa americana, mas com grande penetração no mercado hispano-americano e ibérico.

 

Visivelmente bem impressionado, Angel Cuerpo disse-lhe que voltasse ao escritório daí a três dias, para falar com o doutor Macedo, técnico de pessoal e psicólogo. Manuel de Almeida não conseguiu perceber bem afinal o que vendia a KK. Pode ser que seja uma empresa que vende fundamentalmente uma ideia mais ou menos infantil acompanhada por uma espécie de "poção mágica" a "franchisados" que entram com o investimento e recebem da KK a brilhante ideia e a dita "poção", pensou Almeida. Até porque o valenciano me disse que a função que me vão atribuir é a de "gestor de ideia" que, no dizer dele, significa transformar a ideia em dinheiro. Daí necessitar de capacidade de gestão aliada a um forte poder de convicção.

 

- Mas o principal - recorda Manuel de Almeida das palavras do valenciano - é acreditar na ideia, só assim é que se leva os outros a terem a nossa fé, a certeza de que com a ideia ficarão ricos; bastando para tal investir um capital relativamente modesto, poucas dezenas de milhares de euros.

 

Passados os três dias, Manuel de Almeida foi falar com o doutor psicólogo. Depois de uma longa espera mandaram-no entrar no mesmo gabinete onde tinha sido recebido pelo Cuerpo. Um gabinete bem mobilado com móveis modernos de aglomerado de madeira pintados de branco, negro, verde e amarelo, tudo novo e a cheirar a "leasing". A conversa foi longa, falou-se muito do que era a ideia e como as ideias governam o Mundo. Por fim, o doutor disse que Almeida estava admitido. Como estava desempregado podia começar já a trabalhar, amanhã mesmo, mas primeiro assinava uns papéis como é norma do grupo KK.

 

Manuel preencheu um longo formulário formato "Fanfold" tipicamente americano com perguntas em inglês e castelhano sobre tudo e mais alguma coisa. Fotocopiaram o diploma da privada e, por fim, o doutor disse que tinha ainda de assinar a carta. É só um proforma, uma maçada que a KK de Richmond nos obriga a todos. Almeida ficou admirado, a carta tinha impressa a laser um cabeçalho com o seu nome e endereço escritos no "Word", dirigida à administração da KK Ibérica. Na carta, estava simplesmente escrito que a partir desta data, a branco, ele, Manuel de Almeida, licenciado pela Universidade Privada S. G., gestor de ideia na KK Ibérica, vinha pedir a rescisão do seu contrato de trabalho, declarando ainda que nada tinha a receber da empresa, além do ordenado do mês em curso ou findo. Almeida ficou petrificado, não sabia se devia ou não assinar. Contava com um contrato a prazo, mas nunca com a demissão antes de admitido. "Isto deixa-me totalmente nas mãos destes gajos, pensou Almeida, e eu ainda nem sei de que ideia se trata afinal. Bem, mas não tenho alternativa, se levanto cabelo não me empregam e, se for corrido daqui a uns tempos, pelo menos ganho alguma experiência. Gerir a ideia deve ser aliciante em termos de futuro. Sim, haverá sempre uma, duas, três, sei lá quantas ideias, para gerir até ao fim de minha vida.

 

Manuel de Almeida, um pouco contra a sua vontade, acabou por assinar a carta a pedir a rescisão do contrato de trabalho e só depois é que lhe apresentaram um contrato por seis meses prorrogável sucessivamente por outros meses no qual era claramente especificado que perante um pedido de rescisão do próprio não havia lugar a qualquer indemnização ou pagamento de adicionais. "Pelos vistos, a KK não pensa que eu possa querer mesmo demitir-me por livre vontade quando arranjar um emprego em condições, até porque o salário proposto não é grande, 750 euros por mês mais uma pequena percentagem pela angariação de novos adquirentes da ideia, a qual é sempre transaccionada sob a forma de franquia fixa e participação nos lucros do adquirente, como foi dito pelo Cuerpo.

 

Assinados os papéis, o doutor psicólogo disse que no dia seguinte, muito cedo pela manhã, um doutor espanhol e outro doutor português dariam um curso-seminário sobre os propósitos da KK Ibérica. Almeida foi dos primeiros a chegar, ainda esperou algum tempo até aparecer gente à porta do grande espaço aberto, "open space", como dizem as empresas de mediação imobiliária. Tabicado só estava o gabinete da chefia, estando pessoal a tabicar mais alguns gabinetes. O curso foi dado no espaço a poente com alguma, mas pouca, vista para o Tejo. José Cuevas, o doutor em gestão da ideia e detentor de um mestrado de técnicas de franquia disse que estava ali, não já para explicar a ideia, mas antes, a filosofia existencial do grupo mundial KK. Falou o dia inteiro do que era o grupo KK e do orgulho que cada um devia sentir por trabalhar para um grupo assim. Apresentou folhetos com gráficos a mostrar a progressão das vendas da ideia nos cinco continentes e depois nos mais diversos países. Com Manuel de Almeida tinham começado mais cinco outros licenciados, os quais, como disse, o doutor Cuevas, estavam ali para trabalhar em franca competição.

 

- Na KK Mundial - acrescentou - a concorrência é o nosso próprio sangue, somos todos avaliados pelo resultado dos nossos esforços. Até uma simples secretária tem de fazer a estatística diária do número de palavras que escreveu no computador e no dia seguinte terá que escrever mais ainda e todos os dias assim. Não conhecemos limites à nossa capacidade de competir com os outros e connosco mesmo. Devemos saber quantos passos demos e ultrapassar o respectivo número dia após dia. Fundamentalmente, vendemos a ideia da competição total e global em todo o planeta. Não pode haver território, cidade, província e até aldeia mesmo, onde nós não tenhamos estado a oferecer a ideia.

 

Mas, cuidado, não se trata de vender a ideia como quem vende os preceitos de uma qualquer nova religião, apelando ao foro intimo de cada um e baseado na nossa capacidade de transmitir convicções. Não, a ideia tem que ser vendida com simplicidade, como quem vende um par de peúgas. A ideia deve ser exposta com tanta eficácia que o indivíduo alvo deverà transformar-se num adquirente desejoso, sem mais nada.

 

Depois de devidamente instruídos quanto à filosofia do grupo, passaram ao "Brainstorming" de planeamento. Apareceram os doutores Cuerpo e Cuevas com Terry Hart, um texano que falava o inglês com a pronúncia cerrada da série "Dalas" . Este explicou as bases da estratégia do ataque ao mercado, levando a que os cinco gestores discutissem entre si a divisão do país em zonas operativas, mas ficou esclarecido que dada a tremenda macrocefalia do país, todos trabalhariam o mercado da área urbana da grande Lisboa e Setúbal, mesmo o primeiro mercado a ser abordado. Terry Hart concordou, acrescentando que entendia ser isto uma espécie de Nova Iorque e Nova Jersey juntas. O trabalho começava por contactos telefónicos, procura de endereços de pessoas com o capital suficiente, inserção de publicidade, atendimento a respostas e idas a locais onde fosse possível encontrar clientes.

 

A ideia deve ser vendida por todas as formas, registando-se cada operação no computador. Na sua área cada um é gestor e controlador da sua actividade, devendo saber rigorosamente o que tinha feito desde que iniciara o trabalho na KK. Havia mesmo uma espécie de gestão de stock da ideia. Cada um tinha um objectivo em termos de ideia para vender, acumulada como stock, deduzindo ao total inicial cada venda realizada. Manuel de Almeida começou a organizar o seu departamento como os outros, fazendo no computador folhas estatísticas, folhas de contactos, etc., além de ter de procurar os meios para atingir os fins numa dada área; rádios locais, jornais, agências de informação, espaços publicitários, etc.

 

Os dois doutores, o valenciano e o castelhano, chefiavam tudo. Terry Hart estava geralmente em Madrid, só aparecendo de vez em quando acompanhado por um ou dois castelhanos que deveria estar com os cinco gestores portugueses nas diversas fases dos seus trabalhos. Chegava sempre cedo, Manuel de Almeida, primeiro às oito e meia, depois sucessivamente mais cedo, competiam todos para serem os primeiros a chegar ao trabalho quando não tinham de sair directamente de casa para qualquer ponto do país. Os doutores Cuerpo e Cuevas começavam bem mais tarde, mas de vez em quando um deles fazia a surpresa e aparecia às sete e um quarto. Entrava e via os restantes gestores a entrarem logo a seguir, olhava para eles com um sorriso malicioso, como que a dizer, "se vocês não tivessem assinado a tal cartita não estavam tão cedo a trabalhar. Assim, ainda fazem uma dez horas por dia".

 

Nessas manhãs ocasionais, Cuerpo e Cuevas alternavam, um vinha mais cedo e outro mais tarde, o último a entrar ficava até depois das sete da tarde. Almoçavam todos num restaurante perto que aceitava as senhas dadas pela KK e não dormiam a sesta à espanhola, só os dois ibéricos é que iam não se sabe para onde descansar. Os lusitanos não estavam habituados a isso, recomeçavam logo a trabalhar, já que o lema da KK era trabalhar hoje mais do que ontem e amanhã mais que hoje, sempre, sempre até ao dia do despedimento final. Um dia, o Alonso Casco, que viera de Madrid para acompanhar os trabalhos dos portugueses, disse que ninguém trabalhava na KK mais do que uns quatro a cinco anos a nível de chefia e uns dez a doze meses a nível intermédio. A telefonista Maria da Silva só ficou seis meses; era uma excelente trabalhadora, mas por uma questão de princípio global da empresa foi despedida. Também o Alberto Vara, um dos gestores de ideia que começara ao mesmo tempo que Manuel de Almeida, foi posto na rua, apesar de o seu "score" ser dos melhores, estava mesmo em segundo lugar, muito próximo do primeiro. Também foi por uma questão de filosofia do grupo KK, no qual o despedimento faz parte da vida normal de trabalho, cada um cumpre um ciclo determinado na empresa. Só o gestor europeu de ciclo é que determina quando é que cada um dos empregados do grupo deve ser despedido, isto é, quando termina o seu ciclo de vida. A KK tem um gestor do despedimento, chamam-lhe pois gestor de ciclo.

 

Manuel de Almeida esforçava-se e tudo fazia para alcançar bons resultados na colocação da ideia no mercado. Os clientes eram atraídos por anúncio ou por contacto directo ou por telefonemas em que se prometia um brinde de alto valor se respondessem certo a uma pergunta. Às vezes sorteavam-se viagens ao estrangeiro, mas na maior parte dos casos não. Em termos operacionais, a KK estava ligada a um banco espanhol, o "Barcelona e Catalunha", propriedade do "Trust Bank of Texas", que facilitava listas de pessoas susceptíveis de serem abordadas por possuírem capital e situarem-se sociologicamente nos parâmetros da filosofia KK. Almeida contactava directamente o alvo e convencia-o que a tinha a chave de todos os seus lucros futuros, sob a forma da ideia "franchisada", mas que o principal estava no querer dele como investidor. Mais do que os seus meios financeiros é a capacidade e vontade da sua mente que conta, costumava dizer Almeida aos futuros clientes.

 

O livro do líder do grupo, Kurt Kruppi, "A Força Vital da Ideia" já estava traduzido para português e era logo vendido ao contactado para que se pudesse inteirar do que faz verdadeiramente mover pessoas e bens neste mundo cada vez mais global. Depois dos contactos iniciais, Almeida propunha-se sempre acompanhar o presumível adquirente a qualquer local onde pudessem discutir a ideia; tanto podia ir a casa dele depois das nove ou dez da noite, como encontrar-se nalgum sítio, café, escritório, etc. Desde que um ou mais alvos estivessem à vista, o gestor da ideia tinha de ter uma capacidade de caça felina, perseguir a presa nem que fosse vinte e quatro horas por dia e até aos confins do país. Tanto ia a Chaves como a Vila Real de Santo António, desde que a oportunidade surgisse, mas o ideal era atrair o alvo ao espaço armadilhado da própria KK, o seu escritório. Considerava-se aí como a vitória alcançada. Deixar sair do escritório da KK um cliente presumido sem ter efectivado o negócio era algo de imperdoável e resultava numa multa salarial bastante grave.

 

Manuel de Almeida foi aguentando a pressão sem alternativa, já que as mais de doze horas que dedicava diariamente à KK não lhe deixavam tempo para olhar para as páginas dos anúncios de empregos do "Diário de Notícias" ou do "Expresso". Às vezes dizia para consigo que aquilo não tinha sentido, e quando o Alberto Mendes foi despedido, pensou que ele seria o próximo, também por uma questão de princípio. Estava preparado para isso. Mas o que o irritava mais era aquele sorriso nas bocas tortas do valenciano e do castelhano, o Cuerpo ou o Cuevas. Ambos sorriam da mesma maneira quando chegavam muito cedo ao escritório. Para Almeida eram uma e a mesma pessoa transfigurada nesse sorriso que lhe fazia lembrar a carta, a tal cartinha a pedir a rescisão do seu contrato.

 

Um dia, Almeida julgou ver num dos dois um sorriso mais rasgado e logo pensou "chegou a minha hora, vou ser despedido, é por uma questão de filosofia existencial do grupo KK". Almeida sentara-se na sua secretária naquele espaço quase todo aberto e via o Cuerpo ou o Cuevas de sorriso nos lábios a passar e voltar a passar por perto. Buenos Dias tinha ouvido dizer. Foi o máximo. Almeida não aguentou mais, o sorriso e as duas palavras em castelhano, levantou-se, pegou na cadeira e atirou directa ao alvo, a cabeça do Angel Cuerpo como veio depois a saber. A pontaria foi certeira, o atingido caiu desmaiado, e Manuel de Almeida foi agarrado pelos colegas. Levaram-no a uma esquadra da PSP onde ficou detido para averiguações. O subchefe atendeu o grupo com maus modos e chegou a perguntar se não podiam resolver o assunto entre eles. Depois ao falar-se de agressão, lá se prontificou a levantar um auto para o tribunal de polícia. A cadeira no ar foi o último acto de Almeida na KK. A ideia atingira enfim o alvo, consubstanciara-se na acção essencial. Transformar o sorriso do castelhano num esgar de dor.

 

Dieter Dellinger Copywright

publicado por DD às 01:31
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