Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006

O FOGUEIRO

 

O Observer no início da guerra om bandeira americana para

enganar os submarinos alemães.

 

 

 

    As pancadas violentas ecoavam por toda a meia-nau do vapor Observer , o Asturiano sinalizava assim, batendo com a pá no tecto da casa da fornalha, ao servente do paiol do carvão a necessidade de mais combustível. Este apressava-se na escuridão, apenas iluminada por um ténue lâmpada de mineiro, a carregar o carrinho de mão que pela galeria levava o carvão à boca da fornalha. Aí, o quarto do fogo, liderado pelo Asturiano, carregava as grelhas com rapidez e profissionalismo, depois de previamente retirarem as cinzas do carvão queimado. Ele era exímio no seu trabalho, permitindo que os poderosos ventiladores da casa das máquinas multiplicassem a tiragem das caixas de fumo e fogo que tornavam a água em vapor de alta energia.

 

    - Sim - diz o homem das Astúrias a um dos aprendizes de fogueiro pela primeira vez naquela viagem de Cardiff para La Plata - carregar a fornalha não é só juntar carvão, um bom fogueiro, hombre , coloca-o exactamente no local da superfície da grelha que mais tem necessidade e usa com precisão a pá e o esborralhador , pois isto é o sangue que faz mover este sujo carvoeiro britânico. Apesar de sermos socialmente a escumalha, não devemos deixar de ter o nosso brio profissional.

 

    Ninguém soube alguma vez o verdadeiro nome do Asturiano que sempre foi tratado pelo nome da sua terra de origem de onde fugiu em 1934 por causa de um levantamento revolucionário.

 

    - Tive de fugir então de Oviedo. Os Tércios foram atrás de nós, um pequeno grupo de mineiros muito jovens. Julgavam que tínhamos assaltado a delegação do Banco de Espanha. Quando atravessei a fronteira, eu, o pretenso assaltante do Banco de Espanha, tinha 1,75 pesetas nas algibeiras e nunca entrei num banco. O dinheiro estava então nas mãos dos generais Mola, Sanjurno , Franco e comparsas que o utilizaram na rebelião militar de 1936 - Costumava contar Asturiano.

 

    No porto de Brest , o Asturiano conseguiu embarcar no vapor Observer como servente do paiol de carvão, o trabalho mais sujo e mais mal pago de toda a marinha mercante. Mesmo assim, o jovem ex-mineiro ficou satisfeito e passados dois anos de trabalho no mesmo navio passou à categoria de fogueiro com 14 libras de paga mensal.

 

    O Asturiano é quase analfabeto e, algumas vezes, é dado à bebida, o que lhe faz soltar a língua, acentuando ainda mais a sua tendência filosófica. O resultado das suas elucubrações intelectuais num linguajar muito confuso de inglês e espanhol. Ao Asturiano assenta que nem uma luva a célebre frase escrita por Marguerite Durras ; o trabalho manual é, sem dúvida, de todas as ocupações do homem, aquela que mais directamente leva à reflexão.

 

    Navegou anos no Observer , mas naquele frio e triste mês de Novembro de 1942, o Asturiano; não sabia que zarpava de Cardiff para a última viagem do sujo navio carvoeiro, um Hog Island Freighter de 5590 toneladas de arqueação bruta construído em 1928 para a T. & S. Harington Company. Portanto, um cargueiro com a ponte separada do casario da meia-nau por um porão, escotilha e respectivos paus de carga.

 

    Carregava quase sete mil e quinhentas toneladas, principalmente carvão de Cardiff nas viagens para Rio de La Plata e outros portos sul-americanos, exceptuando duas viagens à Austrália e Nova Zelândia. No regresso trazia cereais a granel, o que significava um trabalho enorme para limpar porões, cobertas e convés, além da repintura das superstruturas.

 

    O Asturiano não é borralheiro; trabalha quase sempre descalço e em tronco nu, vestido apenas com umas velhas bombazinas negras. Depois sobe à coberta nessa figura, mesmo quando navega em águas frias. Nos trópicos dorme ao relento pois prefere o céu como cobertor e o madeirame do convés por colchão à acanhada e pestilenta cabine partilhada com mais três colegas do quarto de fogueiros com apenas os beliches, uns pequenos armários e uma mesa com quatro cadeiras de pau.

 

    A bombordo vai o pessoal do carvão, a estibordo o da marinharia. As três caldeiras escocesas comiam carvão com um apetite insaciável para alimentarem de vapor uma máquina de tríplice expansão.

 

    Cada uma das caldeiras funciona com três caixas de fogo, duas altas e uma baixa, em alternância, conforme o fogo está alto ou baixo, sendo o respectivo quarto constituído por três fogueiros e o servente ao paiol do carvão, trabalham quatro horas e descansam outras quatro sucessivamente quando o navio navega. O Asturiano labora sempre a bombordo com um camarada ao centro e outro a estibordo e, em cada quatro horas de trabalho, as três caixas altas deveriam ser catadas, isto é, retirar com a alavanca e a picadeira a jorra da grelha e do cinzeiro. Esta, formada pela escória do carvão e pelas cinzas, é esborralhada para fora do cinzeiro, a fim de arrefecer devidamente. Entretanto, há que manter o fogo nas outras seis caixas. Um trabalho dos diabos para o Asturiano e os seus camaradas, cada um tem de limpar uma caixa de fogo e simultaneamente abastecer de carvão as restantes duas fornalhas, mantendo aí um fogo muito vivo.

 

    Se o Observer  necessitar da sua velocidade máxima, então não há tempo para catar fornalhas, todas devem funcionar com o maior fogo possível, o que, naturalmente, só é possível por períodos curtos ou logo após o levantar da âncora de algum porto. Ao contrário dos camaradas escoceses e irlandeses, o Ibérico era o mais bem disposto de todos, apesar de não ter razões específicas para tal, sempre de serviço às malditas caldeiras de fogo, excepto o trabalho de escumar a caldeira, feito em geral nos portos. A boa disposição do Asturiano resulta da sua propensão para falar, daí ter aprendido depressa um inglês de trapos no primeiro ano em que navegou, falando-o com muito espanhol à mistura., mas depois foi melhorando a sua capacidade linguista. Com os tempos, a sua participação mais que involuntária na Revolta dos Mineiros de Outubro, em 1934, na pátria asturiana, foi adquirindo foros de heroísmo a ponto de causar em todos a admiração, por um lado, e estupefacção, por outro, dado que o Asturiano não veio depois a participar na Guerra Civil Espanhola.

 

    Quando o conflito rebentou, o Observer navegava então na Austrália e a notícia do evento não chegou sequer à casa das caldeiras. O Asturiano só tomou verdadeiramente conhecimento do que se passava na sua terra, quando, já quase no fim da Guerra Civil, o Observer lançou a âncora no ancoradouro de quarentena no Rio de La Plata depois de passar o navio farol Practicos Rocaldo. Ao lado estava o paquete espanhol da Ibarra Cabo San António de duas chaminés e 12500 toneladas de deslocamento, internado desde o início do conflito pelas autoridades argentinas.

 

    O Asturiano chegou à fala com um dos tripulantes que mantinha a guarda ao navio e este descreveu a luta que se travou no interior do mesmo entre esquerdas e direitas com mortos e feridos.

 

    -  Alguns homens intentaram aqui um acto de pirataria - disse o guarda Alonso Larrazabal, - pretendendo por iniciativa própria subtrair o navio à bandeira e registo oficial e à empresa armadora. E tu tens de ir para lá apoiar o governo legítimo e democrático da nação, oferecendo-te como voluntário da marinha de guerra. Tens de dar a tua contribuição para a derrota do fascismo.

 

    - Sou capaz de fazer isso quando regressar a Cardiff, mas olhe, nunca cheguei a ter passaporte, só tenho o book do armador e a cédula marítima inglesa e isso não dá para viajar de um país para outro, excepto para umas saídas curtas nas zonas portuárias.

 

    Depois do período de quarentena, o Observer   foi descarregar carvão na rada da Vila Constituición. Apagaram-se as caixas de fogo ao fim de 33 dias de viagem e começou novamente o trabalho de esborralhar e catar tudo, além de escumar o sal dos tubos das caldeiras. E quando termina o trabalho na casa das fornalhas, começa o da casa da máquina; limpar e lubrificar os empanques dos bucins das mangas dos veios e os bronzes das chumaceiras, aplicar buchas de escovim para tapar fugas e fabricar empanques novos com estopa e amianto.

 

    Pouco tempo ficou livre para ir até à praça principal de Vila Constituición e emborcar alguns copos de cerveja portenha. Também não foi possível ao Asturiano saber algo mais do que se passava em Espanha, dada a sua dificuldade em ler jornais e os atendedores dos bares pouco mais sabiam que havia conflito e que os revoltosos fascistas estavam a ganhar. Depois de carregarem cevada a granel, o que foi feito após um extenuante trabalho de limpeza, iniciaram a viagem de regresso.

 

     Quando o Observer  chegou ao Golfo de Biscaia, a guerra civil espanhola terminara e outro conflito bem maior tinha começado.

 

GUERRA: ROTINA E MORTE

 

    Para já, a nova guerra significou tão só um bónus extra de dez libras no salário mensal, pois lá em baixo na casa das fornalhas nada mudou e não chegou a entrar a sensação de perigo. O Observer continuou a ir a La Plata levar o bom carvão de Cardiff e trazer cereais, exceptuando uma viagem a Marrocos onde foi carregar fosfatos, levando também carvão, quase que o único produto de exportação britânico, pois a indústria estava fortemente empenhada em produzir material para destruir aqueles que viriam a ser poucos anos depois os bons aliados na Nato, fazendo estes rigorosamente o mesmo.

 

    Os povos são assim; hoje matam-se, amanhã abraçam-se. É tudo uma questão de governos. Passaram a navegar ronceiramente em comboio depois de esperarem dias a fio até completar-se o ajuntamento dos navios. Geralmente, o comodoro do comboio instalava-se no Observer por ser o mais sujo e menos vistoso, portanto o menos susceptível de atrair a fúria atacante de algum submarino alemão. Assim, o Asturiano acabou por não abandonar o navio; e da guerra a primeira consequência negativa foi a falta de sabão, o que para um fogueiro é um problema mais que grave. Ao fim de cada quarto não há parte do corpo que não esteja bem coberta de fuligem e pó de carvão, carecendo de uma boa lavagem.

 

    No Observer não havia duches para o pessoal que mais precisava, mas apenas uns escassos vasilhames. O Asturiano coleccionava sabonetes e barras de sabão, utilizando sempre mais que uma variedade em cada lavagem. Acabou por adquirir uma certa experiência, esfregando primeiro com um certo tipo de sabão e depois com outro para depois untar-se com um creme adequado para devolver à pele a gordura perdida. Por fim, aplicava um linimento para aplacar as dores lombares, tão típicas dos eternos manipuladores da pá e do esborralhador . Nos momentos de folga, o fogueiro ibérico parecia um oficial, ia sempre a primor e nos quartos livres dava sempre vazão ao seu génio contador de histórias.

 

    Para os seus quase sempre alcoolizados camaradas escoceses, era quase o único passatempo a bordo, apesar de não lhe darem o devido crédito, dado o exagero óbvio de muitas das sua histórias, principalmente as que relatavam as mais estranhas aventuras com muitas mulheres nos mais diversos portos por que passou. O Asturiano pretendia conhecer todas, desde as cabo-verdianas de S. Vicente às malaias de Pennang, passando pelas chinesas, raparigas de todas as nacionalidades dos bairros portuários de Buenos Aires e outras mais de Singapura, Manila e outros portos.

 

    O Oceano Pacífico era para o Asturiano sempre xit; muito grande, nunca mais acabava, mais de dois meses seguidos a trabalhar de quatro em quatro horas sem ver terra. Bom para amealhar uns dinheiros, mais nada, e depois gastar nalgum bordel asiático ou bar cheio de aladroadas gentes.

 

    - Em Singapura - contava o Asturiano - havia casas com raparigas de todas as nacionalidades; japonesas, chinesas, indianas, africanas e europeias e descrevia pormenorizadamente o muito que se fazia nessas casas. Com a sua natural alacridade, o Asturiano era popular junto dos camaradas da fornalha e, mesmo, de alguns da marinhagem, mas não se entendia bem com os oficiais, apesar de o chefe de máquinas tê-lo na conta de um dos melhores fogueiros do navio. O seu espírito e passado mineiro tornavam-no pouco propenso para o servilismo, contrariando a expectativa de muitos ingleses do navio, baseada naquilo que considerava ser a inferior condição de ibérico.

 

A ÚLTIMA VIAGEM

 

    A última viagem do Observer foi trágica quase desde o início, precisamente em Novembro de 1942. Decorria então, a operação Torch; nome dado ao desembarque dos aliados no Norte de África ocidental, pelo que o Observer foi incorporado num comboio de engodo, muito barulhento do ponto de vista de rádio, para atrair sobre si a fúria dos submarinos alemães. Claro, nem os fogueiros, nem nenhum outro tripulante do navio tinha disso qualquer conhecimento. Por isso, o Observer foi enviado com uma dezena de outros cargueiros de segunda para a zona central do Atlântico, providos de uma escolta reduzida a duas corvetas da classe Flower e um destroyer.

 

    O comboio era o SL125 destinado a navegar a Sul dos Açores para o Oeste, a fim de atrair os submarinos alemães, enquanto por outras rotas centenas de navios de transporte dirigiam-se para Gibraltar com tropas e material destinado ao assalto final ao Norte de África para expulsarem as forças do Eixo.

 

    Nessa altura, o ditador Salazar ainda acreditava na vitória nazi, pelo que não tinha posto os Açores ao serviço da causa aliada. Por isso, o Atlântico central ainda estava à mercê dos submarinos ítalo-germânicos. A batalha travada em torno do comboio SL 125 foi extremamente dura. Em sete dias de combate perderam-se 11 navios com 72 mil toneladas de deslocamento na maior parte a transportarem carvão e outras mercadorias de baixo valor. Nos seus curtos momentos de folga, o Asturiano ainda subiu ao deck para assistir ao espectáculo aterrador proporcionado por três navios a arderem antes de se afundarem, enquanto as corvetas e o destroyer trocavam tiros com os dez submarinos atacantes.

 

    Ninguém sabia que aquilo tinha mesmo de ser assim, pois tratava-se de um comboio de condenados em que os mortos serviam para indicar ao Alto Comando Naval Aliado o paradeiro dos temíveis submarinos alemães. O comboio dirigiu-se para as costas norte-americanas, mas por altura das Bermudas, o Observer mais três outros navios foram desviados do comboio para rumarem a Sul, acompanhados apenas por uma corveta. Deveriam evitar os submarinos nazis que operavam nas Caraíbas ou atrai-los a si para evitar que fossem para as costas africanas.

 

    Sem novidade, a viagem decorreu calma para o Sul ao longo das costas sul-americanas, entrando nos mares brasileiros. Os dois outros navios que acompanhavam o Observer eram barcos frigoríficos vazios que deveriam trazer carne argentina para a Grã-Bretanha, dirigindo-se, portanto, para La Plata . O carvão do Observer servia para pagar a carne que entraria nos pequenos porões frigoríficos dos seus dois acompanhantes. A escolta ficou pelo caminho por falta de raio de acção.

 

     Navegavam longe de terra. Só por altura do Cabo de São Roque, o ponto mais a leste do Brasil, a sul do Equador, é que foi possível vislumbrar algo da costa brasileira. Quando o Observer chegou aos 23 graus de latitude sul, o tempo mudou e foi piorando quanto mais se aproximavam do Cabo Frio, o vento tornou-se rijo de sul, levantando um mar de vaga, a enxovalhar o navio. Quem não estava de quarto azafamou-se em trabalhos de fixação de objectos, enquanto o navio caturrava cada vez mais com um barulho ensurdecedor quando se ouvia a pancada da proa a cabecear o mar depois de cada vaga. Uma vaga maior danificou a escotilha número dois. O carpinteiro de bordo e alguns auxiliares foram mobilizados para colocarem uma lona nova na escotilha avariada de modo a cobrir os pranchões e evitar a entrada da água no porão. Os ralos dos embornais não davam vazão à muita água que empanchava o convés, o navio estrampalhava mesmo com mar nos queixos umas vezes e de través outras, quando se afastava da costa para manter espaço de manobra e não ser impelido para o penhascal brasileiro.

 

     Para o Asturiano era quase um fascínio observar a borrasca e observar o comportamento do navio, pelo que perdia horas de sono para sentir a água salgada bater-lhe nas faces. Mas aquilo era um pouco mais sério que o habitual Pampero, o vento frequente nas cercanias do Rio de La Plata , pelo que desta vez o Asturiano agarrou-se à chaminé e assistiu ao espectáculo entre as duas baleeiras. O escocês do segundo quarto, Mac Bradeley, ainda o foi chamar para o render do quarto, enquanto o temporal já amainava. O fogueiro das Astúrias retomou o seu trabalho e Mac Bradeley dormitou um pouco antes de subir ao deck da chaminé para ver como andavam as coisas. Nos submarinos alemães ninguém pensava mais; o dia despontava e para trás ficaram algumas luzes cintilantes do Cabo Frio. O céu cobria-se de nuvens confusas que atrasavam o amanhecer e reduziam a visibilidade e os frigos deixaram de ser vistos.

 

    O Observer navegava abandonado, atrasando a marcha na presunção de que os companheiros estavam mais para trás. Mac Bradeley continuava à espera de ver o sol brilhante e um mar mais calmo quando de repente viu esguia a esteira de um torpedo e não muito longe a torre de um submarino. A plenos pulmões deu o alarme. Para nada serviu; uma explosão tremenda foi ouvida por toda a gente. A enorme coluna de água desfez-se a meio do navio sobre a chaminé e o casario e depois ouviu-se o silêncio anunciador da morte acompanhado só pelo marulhar das ondas a baterem no costado e o silvar do vento mais brando.

 

    O navio começou a adornar rapidamente e, sem saber por ordem de quem, Mac Bradley viu toda a gente correr para as baleeiras, ele também, as duas de bombordo estavam safas, as de estibordo destruídas. Apressadamente, sem pensar no que fazia, Mac Bradeley e alguns companheiros puseram os molinetes dos salva-vidas em funcionamento e encontraram nas águas ainda agitadas a salvação. O quarto do fogo com o Asturiano não teve tempo para pensar antes de entregarem as suas almas a um qualquer purgatório ou inferno, o impacto foi central e atingiu bem fundo o costado na casa da fornalha, jactos de vapor de água saíam pela chaminé. A escumalha do carvão ficou lá, esventrada pela cordite do torpedo e cozida pelo vapor das caldeiras rotas.

 

    O navio afundou-se rapidamente ao cheiro de terra; os albatrozes esvoaçavam por cima, espantados certamente com o que se passava em baixo, enquanto gaivotas e outros pássaros continuavam à busca de apetitosas presas piscícolas. O almirante Doenitz pôde registar mais uma vitória de um seu submarino; mais uma a caminho da tão próxima derrota total daquele efémero e tresloucado Império nazi. Império que queria viver mil anos e não passou da idade ainda infantil dos doze anos.

 

PS. Depois de aspirar mais umas cachimbadas, Mac Bradeley acabou o seu relato vivo daquilo que sabia da história do Asturiano. Hoje, residente na lisboeta freguesia da Pena, Mac Bradeley recorda com saudade, tristeza e orgulho os dias, meses e anos passados com aquele camarada do fogo e outros companheiros daquela suja e lenta carvoaria navegante que foi o Observer .

 

Conto publicado na Revista de Marinha.

publicado por DD às 18:18
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2 comentários:
De Anónimo a 27 de Fevereiro de 2004 às 21:59
Este autor passa com tanta facilidade de uns temas para outros com um sentido do realismo que nunca vi. As suas histórias parecem vivas, são como que filmes, parcem que estamos a ver os personagens nos seus momentos. Gostei.Rita Maria
</a>
(mailto:riamaria@sapo.pt)
De DD a 20 de Dezembro de 2006 às 21:09
Obrigado pelo elogio que sinto muito, tanto mais que os blogs de sucesso são quase todos porno ou quase e é pena. Devíamos exercitar a escrita criativa sem necessidade de recorrer à obscenidade. Esta deve estar sempre que se proporcione numa história, mas no centro de tudo e apenas isso não.

Mais uma vez obrigado

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