Sexta-feira, 22 de Julho de 2005

Capítulo II da Novela de Dieter Dellinger

Mujiks.jpg

Apesar de se ter relacionado com algumas jovens e bonitas moscovitas e ter mesmo tentado a sua sorte junto da filha do patrão, não teve grande êxito na sua vida amorosa; não era propriamente um galã, além de que tinha tido uma vida pouco ou nada sedentária, sempre viajando pelo território russo. Por isso, quando conheceu Olga, uma jovem viúva filha de alemães, Anton D. não esteve para meias medidas e pediu logo a linda Olga em casamento, radiosa como estava de regresso de uma cura em Meran, junto à costa do Adriático no Império Austro-Húngaro. Olga tinha sido um pouco fraca dos pulmões, mas aparentava uma cura quase completa, o seu casamento durara menos de um ano, o marido sucumbiu a uma tuberculose que irrompera subitamente pelos seus pulmões logo após o primeiro mês de casamento e do regresso da viagem de núpcias a Riga, no Báltico russo de então.

A estadia no soalheiro Adriático fizera esquecer o curto matrimónio e o sacrifício de tão jovem ter tido um marido quase sempre acamado à espera de uma hora que não podia ser mais do que breve e fatal. Ainda com pouco mais de vinte anos, Olga irradiava uma beleza bem visível nas muitas fotos que deixou aos filhos e estes aos netos que acabaram por se instalar bem longe daquelas terras, precisamente na parte mais ocidental do continente euro-asiático.

Conheceram-se em Novatcherkass, pequena cidade cossaca onde o pai de Olga, um cidadão russo de etnia alemã, mantinha um negócio de cereais e sementes, além de participar numa pequena fábrica de moagem na qual Anton D. instalou uma nova máquina. O jovem mecânico foi convidado para jantar na casa dos seus quase compatriotas e depois do repasto, a filha ofereceu-se para mostrar o jardim e a paisagem escura, tenuemente iluminada pelas estrelas que se reflectiam nas águas então calmas do Don. Passearam mais de duas horas num entendimento que não podia deixar de ser amoroso logo nos primeiros momentos. O namoro foi como que instantâneo. Anton D. apaixonou-se pela viúva que no dia seguinte o foi visitar ao anexo em que estava instalado, -só para saber se está confortavelmente alojado – disse-lhe. Ao mesmo tempo que dava uma resposta afirmativa, Anton D. puxou-a cuidadosamente para si, beijando-a primeiro com muita cerimónia na face e depois com o ardor da paixão nos lábios, a viúva recuou um pouco mas acabou por não esboçar qualquer movimento de defesa ou recusa, aceitou com calor os beijos de Anton D. sem pronunciar a mais pequena palavra. Depois disse - tenho de ir, se continua assim ainda vão reprovar o comportamento da viúva Olga Alexandrova. Mesmo assim, Olga continuou a ir verificar diariamente o anexo para que tudo estivesse em condições, fazendo-o sempre que Anton D. lá estava, pouco antes do jantar. Aos beijos de Anton D., a viúva respondia com os seus; foi um namoro ardente e curto, seguido de um casamento cheio de paixão.

Um pouco antes de se darem os acontecimentos revolucionários de 1905, Anton D. casou-se pois com a bela viúva. Instalaram-se nos arredores de Novocher-kassk; o sogro participou também no capital da empresa então criada que não teve grande dificuldade em singrar, dada a capacidade de Anton D. para montar os equipamentos oriundos da Alta Saxónia. A vida continuou quase monótona até toda aquela região ser tomada pela febre revolucionária em consequência da derrota do Império Russo frente ao Japão. Quando das grandes greves revolucionárias subsequentes, a moradia e o armazém de Novocherkassk, habitado pelo casal D., iam sendo queimados pelos pobres mujiques em greve insurreccional, precisamente na altura em que tanto Anton D. como o guarda revolucionário estavam fora. Anton reparava uma máquina de moer, enquanto o guarda se ocupava com a alta política do país. Olga Alexandrovna resoluta veio à porta quando ouviu baterem com força. Pelo ruído anterior adivinhava o que se tratava, pelo que se precaveu com a pistola bem carregada do marido, abriu a porta e saiu energicamente fechando-a logo atrás de si, a dar a entender que não tinha medo de nada nem de ninguém. Sacou a arma e apontou para o céu, disparou um tiro e depois outro.

O pessoal ficou como que espantado ao ver a furibunda e bela senhora de pistola em punho. Olga ainda viu um homem com um archote, apontou-lhe a pistola. De imediato o archote rolou pelo chão e o cidadão escapuliu-se com quanta força tinha nos pés. Os outros acompanharam-no depois de uns momentos de indecisão. Os anos que se seguiram foram de calma aprazível e de nascimento de alguns filhos.

A Grande Guerra rebenta inesperadamente para Anton D. que nunca pensou ser possível que povos ditos civilizados pudessem de um dia para o outro iniciar a mais desmesurada carnificina de entre as muitas que a História regista. O conflito põe fim à sua confortável vida de endinheirado técnico e importador de equipamentos alemães para fábricas de moagens, tão abundantes naquela região que mais do que o celeiro da Rússia era então o grande celeiro da Europa. Pelo vizinho porto de Rostov, já na foz do Don, os sacos de farinha de trigo eram carregados nos navios que zarpavam daí para a maior parte dos países europeus.

Dias antes de eclodir o conflito, Anton D. achou que a mobilização em massa de todas as classes de cossacos não passava de uma manobra política de diversão, pelo que seguiu para Taganrog para reparar o avariado moinho do judeu Bernstein. Disse para um dos seus ajudantes que a crise entre os dois impérios não passava de uma pequena rixa de família, ou não fossem primos os dois imperadores. Já tinha substituído as correias de transmissão e regulado os cilindros de rodas dentadas, depois de verificar que a máquina a vapor de 10 Cavalos e tríplice expansão funcionava convenientemente, quando foi abordado por três cossacos uniformizados que a toda a brida chegaram ao pátio da fábrica, passando pela longa fila de carros de madeira puxados por juntas de bois e carregados com o bom trigo estival das estepes de entre o Don e o Dniepr. Ambos empunhavam de uma maneira quase ameaçadora as suas espingardas curtas de cavalaria "Dragoon" de calibre três "linhas", mantendo à cintura as "chachkas" curvas e bem afiadas, prontas a degolarem o pescoço mole de alguém que se apresentasse pela frente na qualidade de inimigo.

Pesadores e peneireiros esperavam que Anton D. e os seus ajudantes terminassem a reparação para retomarem a faina, pois estava-se em pleno fim da colheita, o cereal tinha de ser moído e vendido para que tanto as famílias cossacas como os patrões dos mujiques voltassem a ter dinheiro para viverem e prepararem as próximas sementeiras. Muitos vieram de mais de cinquenta verstas de distância e esperavam havia dias pela vez. Naquele ano não se registaram as habituais brigas entre os cossacos e "mujiques". Os mais brigões estavam já mobilizados e em vias de se envolverem numa luta bem mais séria que a tradicional entre os orgulhosos cossacos e os "inferiores" mujiques.

Os uniformizados deram ordem para que Anton D. viesse com eles. Admirado e ainda com as mãos sujas de óleo, ainda perguntou a razão de tão intempestiva abordagem.

- São ordens de muito de cima, do nosso vice-Ataman – responderam-lhe.

Descontraiu-se, era muito amigo do adjunto do general e governador do distrito, pelo que deveria ser algum favor que lhe pedia, talvez um moinho mecânico de algum parente avariou-se novamente.

- Tenho de ir imediatamente – disse ao judeu Bernstein que praguejou danado por ver que a reparação não ficava de todo terminada.

- Deixo-lhe os meus ajudantes que são capazes de voltar a pôr isso tudo a funcionar – e quase sem se despedir seguiu os uniformizados até Novotcherkassk na sua habitual e ligeira caleche que naquelas estradas poeirentas das estepes circulava melhor que o já velho "Mercedes Simplex" com portas laterais.

Em pouco tempo percorreram a galope as vinte verstas que os separavam de Novacherkassk, passando rapidamente pela praça central, bem junto à estátua de Iermark Timoteievitch, o herói cossaco que no século XVI conquistou a Sibéria para o Império do Czar. Os sinos tocavam festivamente e quase todos os edifícios públicos estavam engalanados com a bandeira russa, amarela e branca com a águia negra ao centro. Por toda a parte, cossacos armados e uniformizados pareciam correr apressadamente no maior caos possível. Tudo aquilo deixou Anton D. intrigado, "que teria passado?", pensou. Durante o percurso nada lhe disseram. Rapidamente desmontaram; já no interior do edifício apontaram-lhe uma pequena saleta, onde estava o "sotnik" (tenente) Alexeiev que Anton D. reconheceu como sendo um dos ajudantes do vice-Ataman, o general Bogaievski, e que o deixou um pouco transtornado já que esperava ver o próprio vice em pessoa. Alexeiev disse-lhe que estava detido e teria de ser deportado para a Sibéria. Estupefacto, perguntou a razão de tal detenção.

- Então, não sabe que os nossos países entraram em guerra e recebemos ordens para prender e deportar todos os cidadãos alemães e austríacos.

Anton D. caiu em si, percebeu então o motivo de tanta agitação na cidade e pensou que nessas condições pouco podia fazer, limitando-se a dizer: - Mas eu não me considero um inimigo do império russo, antes pelo contrário e nada tenho a ver com o que os governos fazem.

- Sabemos isso. Bem vê, não somos nós que mandamos, posso mesmo dar-lhe a escolher entre ir com os restantes deportados para Ufa ou levar uma guarda pessoal numa carruagem de primeira classe para Krasnoiarsk, é mais distante, mas fica como que em liberdade a viver numa aldeia das cercanias. Vai-lhe custar uns rublos, mas ficará muito melhor.

- Eu quero é falar com o general Bogajevski, respondeu Anton D., a ser deportado preferia ir para Nikolaiev no Amur, junto ao Estreito da Tartárea no Extremo Oriente, aí posso negociar com os Estados Unidos, já que a esse porto chegam escunas norte-americanas com produtos que podem ser úteis ao Império, levando depois as ricas zibelinas siberianas para enfeitar as donas nova-iorquinas.

Anton D. sabia que os oficiais do vice-Ataman eram mais do que corruptos, o que não era o caso de Bogaievski. Por isso, predispôs-se logo a fazer uma rica oferta ao tenente que de seguida o tratou principescamente, colocando à sua disposição dois guardas para o acompanharem a casa e dentro de alguns dias viajarem com ele no comboio vermelho, como era então designado o luxuoso trem que saía de Rostov para o norte. O tenente passou-lhe uma guia, ordenando a residência fixa nos arredores de Krasnoiarsk durante o tempo em que durar o conflito. Depois, Anton D. poderá seguir para Nikolaiev no Amur e dedicar-se a qualquer actividade comercial, dizia ainda a guia ou para outro local a autorizar. No quartel-general do Ataman pensavam que a guerra não poderia durar mais que aquele espaço de tempo e que a vitória estaria assegurada.

Quando chegou a casa, Anton D. fez uma boa oferta pecuniária aos guardas e ofereceu-lhes uma lauta refeição. Fizeram-lhe a continência e passaram a tratá-lo de Vossa Nobreza como se fosse um superior hierárquico.

Dois dias depois, despediu-se da sua mulher Olga e dos filhos, todos russos de nascimento, portanto insusceptíveis de sofrerem as agruras de uma deportação e escreveu uma carta ao general Bogajevski para lamentar profundamente que o seu país estivesse em guerra com a Rússia que tanto amava, apesar de estrangeiro. Vestiu o seu melhor fato de verão e, pelo sim pelo não, arrumou umas roupas quentes nas malas. A seguir ordenou aos guardas que partissem para a estação, no que foi acompanhado pela família e alguns dos seus empregados. Os guardas estavam muito contentes por acompanharem na longa viagem para Krasnoiarsk um personagem tão importante sob o ponto de vista deles, pobres cossacos com algumas leiras de terra. Sempre seria melhor do que ir para frente. Anton D. disse-lhes isso, ao mesmo tempo que elogiava o seu patriotismo, acrescentando: - Para morrer há sempre muito tempo, não é preciso ser-se apressado, apesar do entusiasmo que reina por toda a parte.

"Os longos anos de uma paz que afinal não era tanta assim e os regimes caducos criaram nas pessoas", observava Anton D. para consigo, "a ideia que a guerra seria enfim a tão esperada válvula de escape. Vão pois alegremente para a morte ".

Anton D. fez-se ainda acompanhar por dois empregados da sua empresa de importação; o contabilista que o deveria deixar em Moscovo e um dos fiéis do armazém, um robusto mujique que Anton D. fez subir na vida, passando-o de criado de lavoura para empregado de armazém. Assim, no meio de dois russos mais ou menos bem vestidos, Anton D. viajou no trem vermelho, ocupando para si e para os seus acompanhantes todo um discreto compartimento. Temia ser identificado como estrangeiro naquele comboio de luxo no qual pareciam viajar os oficiais dos Estados-Maiores de todas as divisões e exércitos da Rússia Imperial. O entusiasmo patriótico era imenso; os jovens alunos das escolas militares, os "Junkers" e Cadetes, cantavam hinos patrióticos por entre as mais disparatadas baboseiras típicas de humanos de todas as nacionalidades em situações daquele tipo. Quanto mais pretendiam ridicularizar os "Fritz", mais Anton D. temia ser desmascarado como estrangeiro e tornar-se vítima de alguma bravata impensada dos belicosos jovens. Para evitar isso, dava lautas gorjetas aos empregados da carruagem, todos vestidos de calças tufadas escuras e camisa russa, além de botas pretas e um boné com uma pequena pala. O compartimento continha dois bancos largos com encostos móveis, tudo susceptível de ser transformado em quatro camas para passarem a noite. Anton D. viajava como se fosse uma personalidade importante acompanhada por ajudantes e guarda-costas.

Em Moscovo, Anton D. convenceu os guardas a irem com ele ao consulado da Suíça onde pensava adquirir um passaporte de país neutro. Prometeu uma importante quantia e disseram-lhe logo que no prazo máximo de seis meses teria o passaporte de cidadão helvético, já que seria emitido em Berna e com a guerra as comunicações estavam muito dificultadas. O contabilista ficou encarregue de voltar ao consulado e levar-lhe o passaporte a Krasnoiarsk.

Depois, dirigiram-se rapidamente à estação do Transiberiano para o tomar e seguirem numa longa e monótona viagem até Krasnoiarsk, em plena Taiga siberiana, a pouco mais de 500 verstas do lago Baikal de águas profundas, negras e frias.

Foram dias perdidos para Anton D. no comboio que lentamente galgou os Urais para se precipitar na imensa planície siberiana em direcção ao Oriente. Anton D. dormia ou conversava com os passageiros. As composições que circulavam em sentido contrário vinham pejadas de militares uniformizados; de todos os cantos do Império afluíam em direcção ao ocidente milhões de cidadãos inadvertidos, muitos dos quais ficariam para sempre enterrados nas planícies polacas e ucranianas.

Jovens soldados entravam nas mais diversas estações para sair noutras a seguir; oficiais na primeira classe e burgueses das mais diversas profissões, soldados e mujiques na terceira classe, enquanto Anton. D. tentava ser discreto no meio dos guardas e do seu empregado. Ordenou-lhes mesmo que se afastassem um pouco para não se saber que ia preso. A dada altura, os guardas foram para a plataforma, enquanto Anton D. seguia calmamente num dos compartimentos como se fosse um qualquer comerciante em busca de negócios. Com o avanço do trem, os guardas descontraíam-se cada vez mais, a possibilidade de fuga de Anton D. era tida como remota; a Sibéria era a prisão ideal com a imensa tundra e os bosques quase impenetráveis a servirem de muralhas de uma fortaleza sem fim.

O percurso de quase 4 mil verstas nunca mais chegava ao fim, interrompido por numerosas paragens. Mas, tudo tem de ter um fim, e ao cabo de semanas de viagem, o transiberiano chegou a Krasnoiarsk. Para Anton D. foi um alívio, nos primeiros dias daquele mês de Agosto fez um calor quase insuportável por toda a parte; de Novocherkassk a Moscovo e até nos Urais e em plena Sibéria, mas em Krasnoiarsk os dias estavam mais frios. Agosto terminaria em breve para dar lugar a Setembro; com ele vinha lenta e discretamente o longo "Inverno" siberiano em que os mosquitos morriam, deixando as suas larvas; no intervalo apareceriam as moscas e depois ficaria só o ar frio até quase ao fim da primavera.

 

publicado por DD às 01:02
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2 comentários:
De Anónimo a 4 de Agosto de 2005 às 10:31
Um bom dia.
Deve estar a chegar as férias, penso eu.
Umas boas férias eu vos desejo.
Ainda não começei a ler o 3º capitulo, penso fazê-lo em breve.
Um abraço de amilamil
</a>
(mailto:mai_ato@sapo.pt)
De Anónimo a 26 de Julho de 2005 às 08:24
Bom dia.
Já li mais um capitulo, por hoje chega, para a proxima vou para o 3º capitulo.
Um abraço de amilamil
</a>
(mailto:mai_ato@sapo.pt)

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